Tecnologias para melhorar a proposta de valor dos bancos

A transformação dos bancos, da tecnologia e da cultura passa por um modelo híbrido físico-digital que melhore a proposta de valor do setor

O setor bancário é um setor que está sofrendo uma das transformações mais radicais em todas as suas vertentes, já que há mais de dez anos está passando por uma mudança constante que ainda se está produzindo.

Além disso, a transformação em curso parece não ter fim, já que não é só digital, mas também cultural. E digo cultural, porque as operações bancárias em formato físico estão muito arraigadas no dia a dia das pessoas; e enquanto não passarem certas gerações, o setor deverá conservar um modelo híbrido físico-digital para aproximar sua proposta de valor a toda a sua tipologia de clientes.

Esta é uma amostra das principais tecnologias que tornarão factíveis estas transformações tecnológicas e culturais no setor:

  • Inteligência artificial (IA) e cognitiva

A inteligência artificial já é uma realidade, e qualquer empresa que hoje não dispuser de ferramentas com esta tecnologia em suas operações chave terá problemas para subsistir no dia de amanhã.

A transformação de que falamos exige ir um passo além, porque a IA do futuro deverá ser mais próxima da forma de pensar e agir das pessoas. Estas tecnologias cognitivas já existem e permitem oferecer os serviços da mesma maneira como se o nosso gerente de bancos nos acompanhasse por todos os lados.

  • Robotização para a automatização de processos

Os bancos deverão ser organizações muito leves, flexíveis e altamente eficientes. Para tanto, será necessário introduzir robôs que detectem, automatizem e melhorem os processos internos.

  • Biometria para a autenticação digital

Num ambiente onde os clientes são digitais, deverão existir autenticações seguras que creditem nossa identidade antes de realizarem certas operações bancárias. Por isso, a tecnologia biométrica será fundamental para identificar as pessoas de forma unívoca e inequívoca de forma online.

  • Cibersegurança e luta contra fraudes

Num mundo totalmente digital, os bancos estão mais expostos do que nunca a malfeitores, que continuarão a espreitar cada vez com mais intensidade. É por isso que os sistemas informáticos, as operações e todas as informações privadas dos usuários deverão ser blindados.

Já existem ferramentas muito evoluídas e sofisticadas para combater os ciberataques e proteger todos os sistemas informáticos; mas serão necessárias ferramentas de inteligência artificial para ajudar, de forma proativa e em tempo real, a detectar os casos de fraude. Neste artigo explicamos uma prova de conceito que estamos realizando no México através de machine learning.

  • Privacidade dos dados

Estamos falando do uso de milhões de dados para interconectá-los e extrair conclusões para diversos fins; mantendo sempre a privacidade das pessoas.

Parece contraditório, inclusive um grande empecilho para o futuro desenvolvimento do negócio do setor. No entanto, serão essenciais algoritmos inteligentes capazes de tornar verdadeiramente anônimos os dados sem se perder informação pelo caminho, possibilitando sua exploração e melhorando a proposta de valor do setor.

  • Ferramentas colaborativas internas

A transformação deve ser ágil e eficiente, fazendo com que todas as pessoas se sintam envolvidas e trabalhem em equipe. O conhecimento deve atravessar áreas e departamentos para abarcar toda a empresa por igual.

A inovação deve ser transversal e parte do dia a dia das pessoas. Por isso, as ferramentas colaborativas terão um papel muito relevante neste processo de transformação.

  • Talento através da gamificação

As pessoas serão chave nesta transformação. Por isso, deve-se apostar no talento. Todavia, os métodos de aprendizagem tradicionais tornaram-se obsoletos na hora de fazer com que os trabalhadores evoluam com a mesma rapidez que os avanços tecnológicos.

A melhor forma de aprender, não só conhecimentos, mas também habilidades e aptidões, é através da experiência. Para isso, demonstrou-se que as ferramentas de gamificação (através de jogos, desafios interativos online ou compartilhados com outros colegas) conseguem incidir e reter os conceitos com taxas de sucesso superiores a 70% em comparação com as formações tradicionais.

  • Analytics

É necessário estar perto do cliente, acompanhá-lo em seu dia a dia e estar presente. Por isso, são imprescindíveis tecnologias de análise que ajudem a conhecer em profundidade cada um dos clientes. Desta maneira, os bancos poderão adiantar-se a suas necessidades e oferecer-lhes melhores produtos e serviços (por exemplo, créditos ao consumo ou gestão operacional e financeira de seus negócios).

A tecnologia já está mudando o mundo, e mudará ainda mais o modo em que se faz chegar a proposta de valor dos bancos até seus clientes, assim como seus produtos e serviços, muitos deles ainda inexistentes.

 

Sergio González Roldán
sergio.gonzalez@nae.es

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