O impacto da diversidade na economia da América Latina

O valor que você dá às pessoas é o valor que seus clientes dão à sua empresa

Diversidade e espaços inclusivos no México e na América Latina ainda são temas de debate, por se estarem dando passos pequenos para nos aproximarmos de uma sociedade mais inclusiva, sobretudo em temas de igualdade de gênero, deficiências físicas, orientação sexual, idade e condição econômica. Todavia, ainda não se alcançou ao todo uma cultura inclusiva nestes aspectos.

Em seu blogue, a Federação Mexicana de Empresários LGBT (FMELGBT) comenta que a discriminação neste setor custa ao país 80 bilhões de dólares por ano, equivalentes ao Produto Interno Bruto (PIB) de cinco estados do país; pelo que se poderia dizer que a segregação também influencia o crescimento econômico do país.

Há algo similar com a marginação por gênero, pois de acordo com El Universal, as mulheres mexicanas ganham 18,3% menos de salário do que os homens, além de só participarem em 44,6% no mercado de trabalho, contra 78,1% ocupados pelo gênero masculino. A publicação também esclarece que as mulheres com uma fonte de trabalho serão capazes de sustentar o PIB per capita de uma maneira significativa durante os próximos 25 anos, contanto que não sofram as condutas de discriminação trabalhista.

Além disso, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e Geografia (INEGI), no México as mulheres com filhos enfrentam discriminação desde a gravidez, devido à falta de serviços como creche, fatores que dificultam o progresso profissional do coletivo.

Na América Latina também se repete esta situação. Como se depreende do ‘Índice de Instituições Sociais e Gênero 2019’ (SIGI) do Centro de Desenvolvimento da OCDE, a Secretaria Geral Ibero-Americana (SEGIB) e a Fundação Microfinanças BBVA (FMBBVA): “Uma das maiores preocupações da desigualdade de gênero na América Latina está no âmbito familiar, onde as mulheres dedicam três vezes mais tempo do que os homens a tarefas domésticas e ao cuidado de pessoas idosas e filhos.”

Em ambos os casos se pode considerar que o impacto da diversidade não só é um tema social, mas também financeiro, que atinge os diferentes setores do país, tanto privados como públicos.

No caso do México, muitas empresas se somaram a iniciativas de apoio tornando-se influenciadores diretos na sociedade, já que temos exemplos como Uber, Facebook, Google, Citibanamex, Mastercard e AT&T, entre outros, que com suas campanhas abrem a porta para se transformarem em empresas inclusivas.

Como ser uma empresa inclusiva?

A fundação Human Rights Campaign (HRC), com sede nos Estados Unidos, publicou recentemente sua lista das Melhores Empresas onde trabalhar, comprometidas com o coletivo LGBT. Entre os pontos que avaliaram, destacaram três pilares:

    • Adoção de políticas de não discriminação.
    • Criação de grupos de recursos para trabalhadores ou conselhos de diversidade e inclusão.
    • Participação em atividades públicas para apoiar a inclusão LGBT.

Adicionalmente, é fundamental trabalhar com base em lineamentos que incluam outros temas de igualdade, por exemplo: as pessoas com deficiências (multicapacidade). A fundação Inclua-me (Inclúyeme), que se dedica a facilitar a procura por emprego a pessoas com capacidades especiais, informa que dentro dos benefícios da contratação neste setor se encontram os seguintes:

    1. Retorno de investimento: as empresas que contratam pessoas com deficiência transformam problemas sociais em oportunidades de negócio.
    2. Marketing: os clientes com deficiência e suas famílias, amigos e parceiros representam um segmento de mercado de trilhões de dólares.
    3. Inovação: os empregados com deficiência trazem experiências e conhecimento únicos tanto para transformar o lugar de trabalho quanto para melhorar os produtos e serviços.

Embora se tenha destacado que a discriminação tem impacto na economia, é importante considerar que além de um benefício financeiro, a diversidade de pensamento dos ambientes inovadores sempre garante ambientes saudáveis e criativos.

A seguir lhe mostraremos as seguintes ações que se podem implementar de forma simples. Entretanto, recomendamos que você as trabalhe com um Comitê Interno de Inclusão, pois ao fazer partícipes a todos você cria mais valor:

    • Crie sua política de não discriminação: Mostre-se tanto com clientes internos quanto externos como uma empresa que cuida e respeita seus empregados.
    • Garanta um recrutamento inclusivo: Ensine a todos seus candidatos e colaboradores que você contrata talento.
    • Forme pessoas com valor: Algumas fundações estão dispostas a dar capacitações de sensibilização de forma gratuita, informe-se sobre as que estão ao seu alcance.
    • Partilhe experiências: Criar campanhas de comunicação interna dedicadas à conscientização pode ajudá-lo a compartilhar sua ideologia.

Não esqueça que o valor que você dá às pessoas é o valor que seus clientes dão à sua companhia.

 

Miguel Ángel Sánchez
miguel.angel.sanchez@naemexico.com

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