Blockchain, o que é e como evoluiu? #10YearsChalenge

Um dos objetivos das soluções blockchain é a descentralização não ter que depender de um terceiro de confiança que registre as transações dos usuários do sistema

No passado mês de outubro comemorou-se o décimo aniversário da publicação sob o pseudônimo de Satoshi Nakamoto do livro branco, no qual se propunha a criação de um novo sistema de pagamentos online com dinheiro eletrônico e sem necessidade de intermediários, o já famoso Bitcoin.

Além dos princípios criptográficos em que baseava sua solução, alguns tão conhecidos como os de assinatura digital, encontravam-se os esquemas de timestamping de Haber e Stornetta cuja proposta de encadear mensagens criptografadas inspirou o nome desta solução Blockchain.

Desde sua publicação, o termo estendeu-se para se referir a todo um ecossistema que inclui novos protocolos e tecnologias contáveis distribuídas (DLT); projetos que as aplicam; comunidades de indivíduos e consórcios de corporações que os adotam, suportam e financiam; e reguladores que tentam enquadrar toda esta nova atividade em contínua evolução.

Vejamos algumas chaves que levaram à sua rápida expansão.

Um dos objetivos das soluções blockchain é a descentralização não ter de depender de um terceiro de confiança que registre as transações dos usuários do sistema; permitindo que qualquer um possa participar em igualdade de condições registrando a atividade acordada por consenso.

Para consegui-lo, implementam-se três camadas:

Uma camada de consenso, na qual se estabelece a confiança dos participantes no sistema através de um protocolo de consenso distribuído (Proof-of-Work em Bitcoin) como se se tratasse de um exame público por incentivar os nós participantes a dedicar recursos de processamento e armazenamento a fim de poderem obter uma recompensa em dinheiro eletrônico (quanto maior o esforço estudando em princípio, mais possibilidades de conseguir uma vaga pública).

A camada de rede, uma rede P2P de nós em cada um dos quais se executa o algoritmo público de código aberto que valida e propaga as transações funcionais, agrupando-as em um bloco de tamanho determinado. Este bloco associa um problema criptográfico (um exame seguindo o símile da oposição pública) cuja solução “arbitrada” pelo protocolo de consenso suporá uma recompensa em cibermoedas ao nó vencedor. Desta maneira, seu bloco passará a fazer parte imutável da cadeia final que armazena cada um dos nós.

Uma camada de aplicação, que se implementa no algoritmo junto ao protocolo de consenso para estabelecer a funcionalidade do sistema e que permite que fique registrada na cadeia uma prova irrefutável de quem é proprietário do quê e o que foi gasto e recebido.

O sucesso inicial entre as primeiras comunidades de entusiastas de Bitcoin deveu-se em grande parte às recompensas em cibermoedas que recebiam por suportar o sistema (mineração). Dessa forma, logo se começaram a lançar novos projetos que tornavam mais eficiente o protocolo e associavam sua própria cibermoeda (altcoins).

O seguinte passo foi desenvolver diretamente novos sistemas de pagamento como Ripple (2012) que, baseado em uma DLT alternativa e com uma comunidade corporativa, é atualmente usado por vários bancos e redes de pagamentos como infraestrutura tecnológica de transferência. Ou como Nxt (2013), que foi o primeiro sistema blockchain a implementar um protocolo de consenso de tipo Proof-of-Stake, utilizando uma ICO para a distribuição inicial de suas cibermoedas.

Mantendo o foco no sistema financeiro, a empresa tecnológica R3 lançou em 2015 sua plataforma blockchain privada Corda, liderando um consórcio inicial de entidades financeiras.

Assim, segundo o acesso estabelecido pelas comunidades destes sistemas, as soluções blockchain podem ser classificadas em públicas, quando estão abertas a que qualquer um possa ler e ver as transações como Bitcoin; e privadas, se apenas são acessíveis por um grupo concreto de participantes combinado previamente. E por sua vez, dividem-se em sistemas com permissões que permitem que somente um grupo seleto de participantes gere transações e verifique os novos blocos a acrescentar à cadeia; e sem permissões, que admitem que qualquer um contribua e acrescente dados livremente.

Até agora as iniciativas se concentravam em evoluir as camadas de consenso e rede para o setor financeiro. Mas foi especialmente a partir do aparecimento de Ethereum (pública) e Hyperledger (privada) em 2015 que os sistemas blockchain se propuseram a estender sua camada de aplicação e buscar novos casos de uso em todo tipo de setores: comércio, cadeia de fornecimento, logística, fidelização, seguros, energia, saúde, educação, serviços públicos, identidade, etc.

Através do desenvolvimento de Dapps e smart contracts, começaram a lançar-se provas de conceito e pilotos que demonstravam a eficiência operacional que se conseguia e os novos modelos de negócio que permitia.

No dia de hoje, à margem do volátil mercado das cibermoedas e de um marco regulador “em construção”, os sistemas blockchain afiançam-se nas corporações, respaldados pelos principais agentes da indústria tecnológica financeira do software de negócio e independente de consultoria de integração de sistemas e das instituições acadêmicas.

Os próximos anos revelam-se como uma grande oportunidade para lançar junto a outras grandes alavancas da transformação digital: 5G IoT AI cloud ou cibersegurança, os novos modelos da internet do valor smart city, mobilidade ou a indústria 4.0.

 

José Alberto Pérez
jose.alberto.perez@nae.es

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