A inteligência artificial e os seres humanos podem coexistir no ambiente de trabalho?

As empresas terão de se reestruturar para continuarem a ser competitivas, utilizando a IA e o aprendizado automático para potencializar seu pessoal humano, não para substituí-lo

No fim do ano passado o Fórum Econômico Mundial publicou o relatório sobre o futuro do emprego em 2018. O documento aborda especialmente o potencial da automatização e os algoritmos para aumentar os postos de trabalho existentes e a importância do investimento em capital humano para maximizar os benefícios desta transição. Depois de lermos o relatório, descobrimos quatro pontos chave que vale a pena compartilhar.

A IA – uma prática padrão para tarefas repetitivas baseadas em dados

As empresas estão aproveitando tecnologias emergentes, incluindo o aprendizado automático e a inteligência artificial, para melhorar a eficiência, expandir-se a novos mercados e competir por uma base de consumidores composta por nativos digitais.

Estima-se que, para 2022, 73% das empresas utilizarão aprendizado automático em seus processos. Isto implica que muitos postos de trabalho se reduzirão nos próximos anos, entre os quais se incluem analistas, gerentes de administração e serviços empresariais, contadores, auditores, atendentes de telemarketing ou caixas. Ou seja, papéis com tarefas repetitivas e procedimentais baseadas em dados e em grande escala.

O relatório descreve a necessidade de aumentar o pessoal humano com tecnologia de maneira que “se liberem da necessidade de realizar tarefas rotineiras e repetitivas para potencializar seu talento humano”.

Os papéis mudarão para se focarem nos pontos fortes das pessoas

Durante os períodos deste tipo de mudança tecnológica, existe uma grande demanda por pessoal com conhecimentos sobre novas tecnologias, incluídos o pensamento analítico, a elaboração de tecnologias, a programação, o raciocínio, a resolução de problemas e a análise de sistemas. Os cargos técnicos chave incluem: analistas de dados, cientistas de dados, desenvolvedores de software e aplicativos e especialistas em comércio eletrônico e mídia social.

Mas as funções técnicas são só parte do aumento da demanda, já que as habilidades humanas como a criatividade, a originalidade, a iniciativa, o pensamento crítico, a persuasão e a negociação aumentarão seu valor. A inteligência emocional, a liderança e a influência social, assim como a orientação a serviços, também serão mais demandadas.

Os resultados do relatório sugerem a necessidade de uma “estratégia de aumento” integral na qual as empresas recorram à tecnologia para melhorar os pontos fortes das pessoas e empoderar os funcionários para desenvolverem todo seu potencial. As respostas dos trabalhadores pesquisados no relatório corroboram a eficácia de tal estratégia.

Investir em mudanças estruturais para manter a competitividade

Para evitar um cenário no qual se percam oportunidades – uma mudança tecnológica acompanhada de escassez de talento, desemprego maciço e estancamento econômico – é fundamental que as empresas assumam um papel ativo e invistam em mudanças estruturais.

Espera-se que, em 2022, 59% dos trabalhadores pesquisados tenham modificado significativamente a forma como produzem e distribuem seus produtos por terem redesenhado sua cadeia de valor. Em lugar de se concentrar exclusivamente na economia de custos de mão de obra baseado na automatização, tal estratégia deveria levar em conta o horizonte mais amplo das atividades que agregam valor e que podem ser realizadas pelos trabalhadores humanos, frequentemente como complemento da tecnologia.

Além disso, para 2022, 38% das empresas pesquisadas esperam ampliar seu plantel a novas funções de melhora da produtividade; e mais de um quarto espera que a automatização leve à criação de novas funções em sua empresa. O relatório prevê que se criarão 133 milhões de novos empregos, o que se traduzirá em um aumento do emprego.

A importância de desenvolver as capacidades humanas

Os empregados que buscam prosperar na nova economia necessitam tomar medidas para voltar a capacitar-se e alcançar as habilidades exigidas para os 133 milhões de postos de trabalho de nova criação. Em 2022, 54% de todos os empregados precisarão aprimorar suas qualificações e nem sempre poderão contar com a ajuda dos governos ou das empresas para levar a cabo tal transição.

Quando os bancos deixaram de utilizar empregados e implantaram caixas automáticos e serviços online, os níveis de satisfação dos clientes viram-se comprometidos, já que as pesquisas demonstram que os clientes querem falar com empregados de carne e osso.

Aprendizado ativo, criatividade, originalidade, iniciativa, pensamento crítico, liderança, influência social e inteligência emocional são algumas das habilidades propriamente humanas que farão com que os empregados estejam mais bem preparados para as oportunidades de trabalho. As empresas terão de se reestruturar para continuarem a ser competitivas, utilizando a IA e o aprendizado automático para potencializar seu pessoal humano não para substituí-lo.

 

Artigo editado e publicado originalmente na DataRobot

A Nae é parceiro certificado da DataRobot para soluções de machine learning automatizado e inteligência artificial voltadas à empresa e especialista em automatizar o fluxo de trabalho da ciência de dados tanto para a recomendação de algoritmos como para a construção de modelos preditivos.

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A Nae trabalha com operadoras de telecomunicações, grandes empresas e administrações públicas para antecipar os desafios de crescimento e transformação do mercado, melhorando sua estratégia de negócio e eficiência operacional. A Nae conta com filiais na Espanha, Colômbia, México, Brasil e Costa Rica, formando uma equipe de mais de 600 profissionais.