A corrida tecnológica mundial para o 5G

Operadoras de todo o mundo se preparam para o 5G através de testes, leilões e acordos.

A competição mundial pela gestão, distribuição e comercialização do 5G está sendo particularmente intensa levando em conta que a tecnologia ainda não está padronizada e que se encontra ainda em uma fase inicial de desenvolvimento.

Neste artigo, que faz parte da série de análises em que explicamos com detalhe a quinta geração de telecomunicação móvel, exporemos o que estão fazendo os principais players do mercado tanto em nível nacional como internacional e que previsões de avanço contemplam os atores mais importantes neste cenário.

5G na Europa: um manifesto

As principais operadoras de telecomunicações e fabricantes de dispositivos e infraestruturas apresentaram em julho de 2016 um manifesto para o 5G à Comissão Europeia. Tratava-se de uma resposta ao pedido realizado pelo comissário europeu de Economia e Sociedade Digital Günther H. Oettinger no MWC desse mesmo ano para que o setor contribuísse para o desenvolvimento e o impulso do Plano de Ação 5G.

Nesse texto compartilhava-se uma série de recomendações chave para conseguir posicionar a Europa à frente do 5G em nível mundial e para tornar efetivo o desenvolvimento das redes a partir de 2020. Os autores apresentaram todos os benefícios possíveis do 5G para a sociedade da informação e como seria de positivo do ponto de vista do usuário. Explicitaram as principais implicações do 5G, especialmente em nível de investimentos em infraestrutura: recordemos que as operadoras acabam de implantar fortes investimentos em rede de fixo, fibra, redes móveis e 4G.

Os abaixo assinados pediram à Comissão que esta atualizasse, harmonizasse e simplificasse a burocracia e as normas que regem o setor, além de facilitar ajudas econômicas para as diferentes implantações. Recordou-se que continuam sendo as operadoras quem constantemente está investindo em infraestrutura, mas que a causa da neutralidade da rede (as operadoras não podem discriminar os conteúdos que circulam por sua rede e as velocidades que dão a cada um destes) são outros os que terminam se beneficiando de suas implantações, assim que se gera incerteza sobre o retorno do investimento do 5G.

Outro ponto importante do manifesto foi o tema do espectro: os autores coincidiram em que não há suficiente espectro para todos e que se precisa, em nível europeu, de uma garantia de disponibilidade. As bandas necessárias para o 5G compreendem desde 700Mhz (banda baixa) até 32-38GHz (banda alta). O texto também pedia a eliminação das restrições que limitam o uso das licenças atuais com o fim de poder fazer provas-piloto.

As operadoras e as indústrias verticais se comprometeram, por sua parte, a desenhar um roteiro que contempla a realização de ensaios e pilotos em matéria de 5G, alcançar a interoperabilidade das redes, desenvolver casos de usos durante o período 2018-2020 e difundir os resultados.

Os planos das principais operadoras na Espanha

O Plano Nacional 5G da Espanha, apresentado em dezembro de 2017 e para o qual se consultaram diferentes players, operadoras e vendors, prevê as seguintes medidas centradas no desenvolvimento de experiências-piloto:

  • Facilitar autorizações provisionais de rankings de frequências nas diferentes bandas de 5G, em particular nas bandas de 34‐38 GHz e de 26 GHz para seu uso nos testes-piloto.
  • Realização de uma ou mais convocatórias de projetos-piloto para a implantação experimental de redes 5G que permitam a validação das novas capacidades de rede e o desenvolvimento de aplicações e casos de uso reais de caráter setorial.
  • Utilizar tais infraestruturas para experimentar outras aplicações inovadoras de terceiros no âmbito dos territórios inteligentes, agricultura, turismo, carro conectado, etc.
  • Seguimento e difusão das diferentes experiências-piloto e de seus resultados através do Escritório Técnico do Plano Nacional.
  • Adotar medidas de apoio à I+D+i dentro do âmbito das tecnologias 5G no marco da Ação Estratégica, Economia e Sociedade Digital.

As operadoras já se pronunciaram na Espanha a respeito:

  • A Telefônica, através de seu projeto “Ciudades Tecnológicas 5G”, está utilizando diferentes cidades da Espanha, em particular Segóvia e Talavera de la Reina, para realizar todo tipo de testes de 5G junto com a Nokia e a Ericsson.
  • A Vodafone anunciou em dezembro de 2017 que utilizaria Sevilha e Málaga como cidades para seus testes-piloto de 5G no segundo semestre de 2018. Em fevereiro deste ano a Vodafone e a Huawei completaram a primeira videochamada do mundo no padrão 5G non-standalone que se aprovou dois meses antes da chamada.
  • A Orange, junto com a Ericsson, alcançou em Madrid velocidades de conexão média de 15 Gbps com 5G com rankings máximos de 17 Gbps através da banda de 28 Ghz concedida excepcionalmente pelo Governo a Ericsson para este tipo de testes com um terminal de 300kg.
  • A MásMóvil anunciou no fim de fevereiro de 2018 que está finalizando a compra de frequências de 35 Ghz para se preparar para o 5G.

O que o resto do mundo está fazendo?

Em 2017 levaram-se a cabo 10 testes chave em todo o mundo e a previsão para os próximos anos é a seguinte:

  • Europa: lançamento pré-comercial de Everything Everywhere (EE) em 2019 com previsão para lançar o serviço comercial em 2020.
  • EUA: A Ericsson e a Verizon levaram a cabo testes-piloto em clientes fixos sem fios com o objetivo de lançar as redes de nova geração (NGN) no final de 2019.
  • Japão: O país tem um plano para proporcionar cobertura 5G em Tóquio para as Olimpíadas de 2020.
  • China: Planejaram-se testes de campo em 6 cidades chinesas em 2019 por parte da China Telecom.
  • Coreia do Sul: A Intel e a KT mostraram uma preview do 5G durante as Olimpíadas de Inverno de 2018 com o objetivo de realizar o lançamento comercial entre 2019-2020.

Os investimentos iniciais para o 5G

Apesar de os testes comerciais estarem planejados para os próximos anos, a tecnologia ainda não estar completamente padronizada fez com que as operadoras ainda não tivessem finalizado planos de implantação comercial concretos.

O 5G enfrenta, como foi o caso da geração anterior, o debate sobre de onde devem surgir os investimentos iniciais, se de duas operadoras ou de dois usuários e consumidores potenciais da tecnologia: um operador somente investirá na rede se tiver certeza de que vai ter um retorno, de que haverá demanda.

Os desenvolvedores de aplicativos, por sua vez, não se decidiram a gerar produtos que requeiram uma rede que ainda não existe. Com o 4G ocorreu algo similar com o investimento na Europa, mas com o aparecimento de terminais, como o iPhone, as operadoras nos EUA foram testemunhas de um aumento de consumo de dados por parte do usuário. Esta mudança abria outras oportunidades comerciais que também viram as operadoras europeias na hora de apostar nesta tecnologia.

Roadmap

A associação de telecomunicações 3GPP (3rd Generation Partnership Project) dividiu a versão (release) 15 do padrão em duas partes: a primeira para dezembro de 2017, quando se aprovou 5G New Radio (NR) para o non-standalone; a segunda está prevista para junho de 2018. Espera-se que os acordos sobre os diferentes espectros e o término dos pilotos já existentes cheguem em 2019, o que permitiria que a implantação da rede comece na Europa a partir de 2020 com o impacto real de 5G visível depois de 2025.

A GSMA prognostica que as redes comerciais 5G começarão a implantar-se amplamente no começo da próxima década e para 2025 proporcionarão cobertura a um terço da população mundial.


 

Restam uns anos intensos de testes, leilões por espectros, acordos e padronizações ao redor do mundo. A pergunta é: quem se posicionará à frente do 5G: a Europa, a Ásia ou os Estados Unidos, já que se está avançando quase ao mesmo ritmo em todo o globo. Chegue quem chegar primeiro e se as previsões forem corretas, em 2025 já poderemos desfrutar de forma generalizada da tecnologia que nos abrirá as portas à internet das coisas.

Gregorio Recio
gregorio.recio@nae.es

Gorka Riocerezo
gorka.riocerezo@nae.es

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