Eficiência para operadoras de Telecom: separação entre infraestrutura de rede e prestação de serviços

A transformação dos perfis de consumo levam operadoras a entenderem que o compartilhamento de suas redes pode ser eficaz na melhora da eficiência operacional

Desde o início das operações de telecomunicações, independente de quais sejam os serviços prestados, é notável que uma característica nunca tenha mudado: a operadora continua detentora da sua infraestrutura (prédios, redes de cabos, centrais de controle e de transmissão, satélites, antenas, torres e etc). Com isso, o modelo desenvolvido sempre foi a de uma empresa que comprava, implantava, operava e dava manutenção em sua infraestrutura e, também, atendia às necessidades do mercado por meio das vendas e ofertas de seus produtos.

Toda essa estrutura tem funcionado bem até o surgimento das OTTs (Over The Top), quando empresas começaram a oferecer seus produtos ao mercado sem possuírem infraestrutura própria e, muitas vezes, terceirizando algumas iniciativas do negócio. Isso fez com o que o mercado fosse invadido por ofertas de música, entretenimento, notícias e, mais recentemente, filmes.

Com o surgimento dos novos padrões de consumo, as operadoras além de não gerarem receita para os detentores da infraestrutura, ainda colocavam em desvantagem produtos mais tradicionais desta indústria, como a TV por assinatura, que vem perdendo base anos após ano, desde a consolidação do modelo de vídeostreaming adotado por muitos usuários pelo mundo.

Há alguns anos, algumas empresas concorrentes começaram a discutir a possibilidade de compartilhar parte de sua infraestrutura como torres, antenas e até alguns sistemas de acesso móvel celular. Estas organizações perceberam que isso não só não afetou em nada suas estratégias mercadológicas, como ainda tornou possível com que ficassem mais saudáveis do ponto de vista de margem operacional. Com isso, essas empresas se permitiram focar mais onde as estratégias pudessem ser diferenciadas, que é no atendimento e na geração de valor ao negócio.

Nos dias de hoje, vivemos uma evolução deste cenário, em que não só a infraestrutura é compartilhada entre diversas empresas, como existe também a possibilidade de se constituir uma empresa que fique exclusivamente responsável pela parte de investimentos e operação da infraestrutura. Desta forma, elas oferecem o serviço às outras empresas que efetivamente ofertarão produtos aos clientes finais, de telecomunicações e de conteúdo.

Este modelo parece fazer sentido, e tem sido bem recebido pelo mercado, pois permite focos claros e diferentes em cada operação. De um lado, a empresa de infraestrutura, que busca melhorar ao máximo sua eficiência, aceleração nas implantações e excelência na manutenção por meio de processos automatizados e inteligentes. De outro lado, a empresa comercial, que passa a competir com as OTTs, equipada com diferenciais importantes, pelo seu conhecimento de mercado, sistemas robustos de CRM (Customer Relationship Management) e profundo conhecimento das preferências de seu mercado.

Neste novo cenário, as empresas não carregam o custo e o peso dos investimentos necessários a esta oferta, e ficam com um modelo flexível e leve, muito mais preparado para este momento de rápidas transformações e mudança do perfil de consumo, tanto na tecnologia como em novos modelos de negócios.

 

Eduardo Rabboni
eduardo.rabboni@nae.global

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